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  • Foto do escritorMargarida Vieira

O que esperar de uma primeira consulta?

Em determinados momentos da vida, confrontamo-nos com situações, pensamentos e emoções que nos colocam em lugares, muitas vezes, difíceis de gerir. A ideia de procurar ajuda psicológica pode surgir nestas alturas, mas é comum surgirem resistências, questões ou inquietações que dão lugar a um adiar da tomada de decisão - muitas vezes por ser um passo dificil de dar, algumas vezes por mitos e preconceitos e outras vezes por desconhecimento. Sabemos que a tomada de decisão é um processo cognitivo que necessita de ter informação, mas não é indissociável da emoção. E o desconhecido é um ótimo alimento para o medo e para a insegurança. Por este motivo, hoje escrevo sobre alguns pontos que considero serem importantes para ajudar a desmistificar a terapia.


É comum, e totalmente válido, surgirem questões que dificultam este processo de decidir e começar um processo terapêutico:

- Vai saber ajudar-me? Provavelmente nunca passou por isto.

- Tenho medo que não haja empatia e compreensão.

- Será que me vai julgar?

- Será que me vou sentir à vontade?


As primeiras consultas são um primeiro encontro de histórias, memórias, expectativas e necessidades. Momentos de exploração em que, para além de conhecer a história individual e familiar da pessoa, procuro compreender, contextualizar e integrar o pedido, à luz de uma perspetiva que considera a complexa interação entre a pessoa e o seu ambiente. O terapeuta já ter passado exatamente pelo que o cliente passa/passou não é preditor de melhores resultados. Se assim fosse, seria muito difícil ter esta profissão e continuar a ser um ser humano. Mais do que já ter ou não passado pelas mesmas experiências, psicólogos têm formação e competências específicas para trabalharem com pessoas, o seu sofrimento e potencialidades. É antes a aliança terapêutica estabelecida que revela ser dos fatores mais importantes para o sucesso do processo.


Vejo a terapia como um processo colaborativo, uma construção gerada a partir da interseção de diferentes mapas e olhares, onde cliente e terapeuta trabalham em conjunto para os mesmos objetivos. Um trabalho onde, por um lado, temos a pessoa (ou o casal ou a família), que é a especialista em si mesma, a abrir algumas gavetas e a permitir-se entrar (ou experimentar) estar na vulnerabilidade e em diferentes papéis. Do outro lado, temos outra pessoa numa posição de não saber, de verdadeira curiosidade em conhecer, de escuta e de não julgamento, que está presente enquanto figura facilitadora da exploração do eu inserido em vários sistemas/contextos e catalisadora da mudança. Não há guiões, não há respostas certas ou erradas, não há receitas mágicas, nem verdades absolutas. Portanto, não me faz sentido o julgamento, mas sim abrir espaço para o questionamento.


É o encontro destas duas realidades que permite uma definição conjunta de objetivos que ajudam a orientar e dar rumo à terapia – baseados nas necessidades da pessoa - e, com o tempo, a co-construção de novos significados e narrativas que não estejam organizadas em torno do problema. Cada pessoa é única, traz consigo a sua bagagem e, portanto, tem o seu próprio ritmo, que deve ser sempre considerado e respeitado. As primeiras consultas (e na verdade todas) são momentos desafiantes de confronto e superação e, por isso, é fundamental que a pessoa se sinta confortável e, sobretudo, segura com a pessoa [terapeuta] que escolhe fazer este caminho consigo.

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